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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

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Procura-se motivo



Sabes, dormi com ele só para me manifestar.

Desculpa? Não entendo. Para te manifestares? Contra o quê? A favor de quê? Aliás, espera. Primeiro: com quem?

Com aquele de que te falei no outro dia.

Com esse? Mas tu disseste… Ele não é nada recomendável. E nem sequer é o teu estilo.

E qual é o meu estilo, sabes? É que eu não sei bem. Este ano, usa-se amarelo. Foi impensável, durante anos. Além disso, estou mais velha, não posso usar saias tão curtas. O estilo vai mudando. E mesmo quando se recuperam estilos antigos, são reciclados. Os homens também. Os que passam de moda estão em saldos. Os outros saem caros, alguns estragam-se logo na mesma.

Tu estás pior. Agora comparas homens a roupas? Porquê? É tudo para despir?

Boa, não tinha pensado nisso, mas serve. E não me venhas dizer que estou cada vez mais cínica, como se tu também não estivesses. Bonito é para as meninas novinhas. Na nossa idade, o felizes para sempre dura cada vez menos.

Ok, não vamos ter essa conversa, fala-me antes do manifesto. Não estou mesmo a perceber. 
É um motivo extravagante para se dormir com uma pessoa.

É, não é? Mas é excitante, acredita. Manifestei-me a favor dos homens incrivelmente honestos, que não nos fazem perder tempo com jantares idiotas, a exibir as suas vitórias idiotas, a abrir a cauda do pavão, olha como eu sou tão colorido, vês? Ele foi honesto. Disse-me que me queria na cama dele. Nem que fosse uma só noite, mas que tinha de me ter.

E tu?

Eu achei que devia premiar aquela honestidade. Dei-lhe a mão e respondi-lhe que sim, que ia com ele nessa noite. Mais do que isso não prometia.

E foi bom?

Já te disse, foi excitante. Dormir com alguém a pensar que estás a fazer alguma coisa pela sociedade é estimulante, acredita. E, além disso, é sempre um motivo extravagante. Tu tens algum?

Para a troca? Não, só tenho coisas banais, como dormir com uma pessoa por ter pena dela. Ou por não me apetecer ir para casa sozinha, essas coisas.

Sim, são banais. Podias experimentar manifestar-te.

Podia. Mas a favor de quê?

Sei lá. Tanto faz, desde que não seja banal. Assim em favor das espécies em vias de extinção, por exemplo. É bem adequado.

RD, 08.12.2011

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